O Pintor José Barata de Castilho

O pintor com quadro pintado no Verão dentro da Ribeira da Baságueda, evento da Câmara Municipal de Penamacor

                  Biografia 

 

 

Nasceu em Castelo Branco em 1944. Em 2011  recuperou o apelido Castilho do seu avô paterno, passando a ter o nome completo José Martins Barata de Castilho, o que fez por ligação à família e para se distinguir de 13 homónimos, ao nível de todo o pais.

 

Até então o seu nome era José Martins Barata. É descendente do albicastrense Manuel de Castilho (c.1550), sendo que este foi neto de João de Castilho (c.1500) e pai de Fernão Gomes de Castilho (c. 1575), que casou em Castelo Branco com Isabel Cardoso Frazão (pode pesquisar-se de pai em pai no sítio "Geneal.net",  por ordem ascendente [1] ).

O seu pai, filho de Bartolomeu José Rodrigues de Castilho e Maria Joana Barata, chamava-se Francisco José Barata, nascido em 1917, sendo então possível, desde época antiga, pôr os nomes do pai a uns filhos e os da mãe a outros, que na geração seguinte podiam optar por lhes dar o apelido do avô paterno, ou outro. Essa posibilidade acabou depois de publicado o Código do Registo Civil de 22 de Dezembro de 1932, que obrigou a que o último apelido fosse o do pai. O Código de 1995 veio flexibilizar a composição do nome dos portugueses e o último apelido tanto pode ser do pai, como da mãe ou de um avô.

Foi também professor catedrático de economia (aposentado em 2004), em Lisboa, economista e investigador. Como estudou na Escola Industrial e Comercial de Castelo Branco, ao que se seguiu a secção preparatória no Instituto Comercial de Lisboa (1962 a 1964) para ingresso no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras - o que não lhe permitia matricular-se noutros cursos superiores - licenciou-se em Economia, em 1969. Ponderou  seguir Belas Artes para cursar Pintura, mas a preparação que tinha não lhe dava acesso a esse ensino, a mudança ficava-lhe onerosa e não tinha meios para isso. Estudou como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e do Estado, mas as bolsas de estudo não davam para tudo. Os seus pais eram modestos agricultores em terrenos próprias, tinha quatro filhos e não podia ajudar muito.

Em 2004 aposentou-se como Professor Catedrático de Economia Monetária e passou a ter exclusivamente a pintura como  actividade profissional.

Embora fosse pintando de vez em quando, até aos anos 1990 o seu modo de vida girou à volta da Economia.  Apenas nessa década começou a expor e a vender quadros.

É uma pessoa com espírito humanista, que, à semelhança dos renascentistas, faz pesquisas técnicas e  investigação científica, para além da pintura.

 

1. Pintor [2]

O seu nome artístico é José Barata de Castilho, mas foi José Barata até à alteração do nome civil.

Teve os seus primeiros contactos com a pintura artística com o pintor albicastrense António Ribeiro Russinho, seu professor de Desenho na Escola Industrial e Comercial de Castelo Banco, em 1958/59. Começou a pintar quadros a óleo em 1960, então como autodidacta, até que estudou em Lisboa desenho e pintura, de estilo naturalista, com o pintor Silvino Vieira, em 1964.

Sempre mais virado paras as artes e letras, foi melhor aluno nas disciplinas dessas áreas. Em 1964 ganhou os primeiros prémios de Conto e Poesia nos jogos florais do Instituto Comercial de Lisboa e nessa época dedicava-se à pintura como autodidacta.

Em horário pós-laboral, fez três cursos de pintura em sequência de três anos, de 1991/92 a 1993/94, na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa (na qual foi admitido como sócio titular), obtendo os Certificados dos Cursos de Pintura (dois de iniciação e um complementar, de atelier, que exigia selecção prévia). Simultaneamente, fez aí também o curso de e estética artística, tendo obtido o Certificado do Curso de Estética de Arte. Foi aluno do Prof. Jaime Silva nos três cursos de pintura e do Prof. David Lopes em Estética

Realizou mais de duas dezenas de exposições individuais em galerias de arte portuguesas e estrangeiras, em Castelo Branco, Coimbra, Lisboa, Alcobaça, Torres Vedras, Nova Iorque, Barcelona, Almeria, Granada, Washington, Sevilha, Roma, Florença e Madrid.  Participou em várias exposições colectivas em Portugal e no estrangeiro.

A sua primeira exposição individual de pintura foi OrigensGaleria Lúcia Lima, Castelo Branco, Setembro de 1993. No seu curriculum vitae na internet vêm os pormenores [3]

Em 1995 expôs no Salão CRIATIVIARTE, em Reguengos de Monsaraz, que reuniu pintores de todo o País e atribuiu prémios.

Esteve representado em várias feiras de arte. Entre outras, a "Interart98" e "Interart99" - Fira de Arte de Valência; "EUROP’ART99", Genebra, 1999; "Artexpo99" e "Artexpo2000", Barcelona; "ArteSantander", 1999, "Lineart", Gent, 1999, “Artexpo New York”, 2000 e 2001, "Expoarte" 2001 e 2003, Porto; "FAIM- Féria de Arte Independiente en Madrid", 2002 e "Primera bienal de arte contemporáneo Chapingo" 08 México, 2008. 

A sua obra foi objecto de estudo em Espanha e Itália e originou publicação em jornais e revistas de Arte, catálogos de feiras de arte, assim como no Guía Europea de Bellas Artes (1997-98, 2000 e 2002, Alicante); 50 anos de Pintura e Escultura em Portugal [4](Lisboa, 1999); O Figurativo nas Artes Plásticas em Portugal no séc. X [5](Lisboa, 2007). Tem sido considerado pintor neo-figurativo expressionista irónico e metafisicista.   Outra análise refere que sua pintura se insere também numa linha de neofigurativismo mediático e poético.

​Recebeu os seguintes prémios: “Grande Prémio Criativiarte” (1º prémio), Reguengos de Monsaraz, Junho, 1995; Diploma “Mention Spéciale” de l’Académie Européenne des Arts 2002; «Gran Premio Internazionalale dell’Arte 2002», Roma; «Gran Premio Leonardo da Vinci, 2004, Florença; «Gran Premio Internazionalale GENOVA ART 2005»; “Premio Donatello 2006”, Florença.

Em 9-10-2018 foi condecorado pelo Presidente da República Portuguesa, por sua iniciativa, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, como Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública, na qualidade de  investigador e pintor.(*)

​Foi Comissário do stand de “Portugal-País Invitado” na “FAIM - Feria de Arte Independiente en Madrid”, em Outubro de 2003, na qual também esteve como pintor (veja catálogo  aqui   )[ 6].

Esse evento permitiu-lhe colaborar e relacionar-se com Cruzeiro Seixas, Jaime Silva, Manuel Casal Aguiar, Miguel Barbosa e Nadir Afonso, entre outros pintores e escultores portugueses. 

Criou a primeira pinacoteca de Castelo Branco, inaugurada em 2013, no Solar dos Cardosos, que comprou em ruínas e restaurou. Compõe-se de obras de vários artistas, sendo a maior parte de sua autoria.

Uma apreciação crítica

 Guía Europea de Bellas Artes

  << José Barata es un artista de diferenciada personalidad creadora, autor de una obra plena de resonancias culturales, en la que lo popular - entendido como raíz  y tradición - le sirve de apoyadura para construir sobre el lienzo un mundo de imágenes, ritmos y colores, a través de los  cuales expresa su inquietud creadora y su visión, amarga en el fondo, de nuestra aparente alegría de vivir. Lo mismo que sus personajes esconden su verdadero rostro tras la mascara del carnaval, José Barata se oculta bajo el disfraz de su brillante juego cromático para que no descubramos sus heridas, equilibrando en cada lienzo la belleza, la libertad y la intención. >>

Texto de  Mario Antolín Paz  en Guía Europea de Bellas Artes, 1998 (p. 42)
Presidente de la Asociación Madrileña de Críticos de Arte  

Actividade académica

No ensino secundário, médio e superior, estudou como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian (alguns anos simultaneamente bolseiro do Estado, que exigia média de 16 valores). Em 1969 licenciou-se em Economia no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (ISCEF, depois ISEG, posteriormente integrado na Universidade de Lisboa). Foi graças às bolsas de estudo que conseguiu seguir estudos até se licenciar, porque a família vivia modestamente da agricultura em terrenos de sua propriedade no concelho de Castelo Branco.

Em 1979 obteve o "Diplome d'Etudes Approfondies en Monnaie et Finance" na Universidade de Orleães, França. Em 1981 doutorou-se em “Monnaie et Finance” na mesma Universidade, obtendo o grau de "Docteur d'État ès Sciences Economiques, mention très honorable" (o grau académico mais elevado das universidades francesas), a que foi dada  equivalência pelo Ministério da Educação de Portugal, no ano seguinte, com a classificação de Muito Bom com distinção e louvor.

Em 1987 obteve o grau académico da Agregação, por unanimidade do Júri. Percorreu todas as fases da carreira docente no ISEG, desde Assistente Convidado até Professor Catedrático. Logo a seguir concorreu à categoria de Professor Catedrático do ISEG, em 1989, tendo sido classificado em 1º lugar no concurso público.

Foi simultaneamente professor  convidado (Professeur Associé ) de Economia na Universidade de Orleães, em França e, também, "Directeur de Recherche" (orientador de teses de doutoramento), durante 13 anos (1982/83 a 1994/95), assim como membro de júris de doutoramento em Universidades Francesas.

Graças à sua iniciativa, o Instituto Superior de Economia e Gestão, Universidade de Lisboa, apresentou pela primeira vez, entre 1981 e 1985, nas disciplinas de Economia,  o ensino de Economia Monetária  e Teoria e Política Monetária, concebidas com integração da intermediação financeira e da moeda, figurando esta como um activo financeiro, não aceitando a abordagem dicotómica e integrando  a esfera real e a esfera monetária da economia e  realizou também uma investigação teórica original, sobre a política monetária como jogo não cooperativo, matérias que se podem consultar no seu manual Moeda e Mercados financeiros, on-line na Biblioteca da UL (vide Prólogo e Introdução, p.1, [aqui] .

O ano lectivo de 1981/82 foi o primeiro em que a teoria da carteira de Markowitz foi ensinada no ISEG e  em Portugal, consequência destas suas inovações no ensino. Uns anos mais tarde, em 1990, Markowitz recebeu o prémio Nobel da Economia. Foi também introduzido o estudo da estrutura temporal das taxas de juro (vide  Relatório  , p.5)

É autor de várias publicações na área da Economia, nomeadamente três livros sobre matérias monetárias e financeiras, bem como vários artigos em revistas especializadas, nacionais  e estrangeiras, de circulação internacional, disponíveis na Biblioteca Nacional de Portugal, Biblioteca da Universidade de Lisboa e outras, assim como na biblioteca do Banco de Portugal.

Economista

Exerceu a profissão de Economista em diferentes instituições, nomeadamente Economista no Banco de Fomento Nacional, Gabinete de Estudos Económicos, onde escreveu livros, que o Banco publicou e  foi membro do Conselho de Gestão do Banco do Alentejo, antes do doutoramento. Depois de se doutorar foi nomeado professor universitário de carreira  mais tarde Economista Consultor do Banco Mundial.

Investigação

Depois do doutoramento, a sua investigação, que originou publicações de livros, artigos e comunicações científicas, incidiu na área da economia monetária e financeira, nomeadamente teoria e política monetária.

Teve a iniciativa  da constituição do Centro de Investigação sobre Economia Financeira (CIEF), em Junho de 1983, no ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão. Exerceu, desde então até 1987 e de 1996 a 2004, o cargo de Presidente desse Centro.  Dirigiu investigadores individuais e em grupo. No CIEF organizou conferências, congressos de economistas e outras iniciativas. Os resultados da investigação, realizada com apoio da FCT - Fundação para a Ciencia e Tecnologia, foram apresentados sob a forma de comunicações em vários congressos internacionais, originando, posteriormente, artigos em revistas.

Foi autor de inovações científicas, que tiveram reflexo em trabalhos académicos, nomeadamente um modelo que foi aplicado e testado em teses de doutoramento e outra investigação.[7] Realizou também uma investigação teórica original, sobre a  política  monetária como  jogo não cooperativo, no final da carreira académica, o que  originou comunicações em Congressos e publicação de um artigo num livro. [8]

Mais recentemente fez investigação histórica e genealógica em Castelo Branco, tendo publicado o livro Cardosos e Castilhos Albicastrenses – à Volta dos Palácios, em 2012, incluído nas Publicações catalogadas na Biblioteca do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, 2016.[1]

 



[1] http://pagfam.geneall.net/6178/pessoas.php?id=1133000

[2] Fonte: http://www.galeon.com/baratapintor/curripor.htm

[3] http://www.galeon.com/baratapintor/curripor.htm

[4]  Leite, Gil M. Cancela, 50 Anos de Pintura e Escultura em Portugal, Universitária Editora, Lda., Lisboa, 1999, p.229

[5]  Brandão, Afonso Almeida, O Figurativo nas Artes Plásticas em Portugal no séc. XXI – Quem é Quem, Dinternal, Lda. Lisboa, 2007, p.53

[6]  Catálogo de Portugal - Feria de Arte Independiente en Madrid, 16 a 19 de Outubro de 2003, p. José Barata, vide issuu.com/portugalfaim

[8] Macau – III Encontro de Economistas de Língua Portuguesa, vol. I, Macau, 28 a 30-06-1998, pp. 469-479

[9] http://antt.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/17/2008/10/2016-Biblioteca.pdf

 (*)  http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=153735   Cerimónia de condecoração de personalidades militares e civis no Palácio de Belém (acedido em 10-10-2018)